segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O condenado que não foi preso

O banqueiro Daniel Dantas na semana passada foi condenado a 10 anos de prisão mais uma multa de 12 milhões. Foi condenado, mas não foi preso. Será que corrupção ativa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, fraude financeira e formação de quadrilha não são crimes “dignos” para colocar alguém numa cela?

Novamente o Dantas conseguiu um tempinho para se recompor e para preparar sua defesa. È uma pena, mas vai demorar mais um pouco para esse camarada amargar seus dias na cadeia.

Quando a gente pensa que vai haver uma punição exemplar (afinal a condenação até que foi razoável) surge uma novidade como, neste caso, a não prisão imediata. Esse cara deve causar muito pânico por onde passa. Até um juiz que não teve medo de condená-lo teve a “precaução” de não mandar prendê-lo imediatamente.

Tudo bem que os ladrões de galinhas têm menos grana, menos prestígio bancário e social, só que ainda assim seu crime é infinitamente inferior. Mas, o cara é algemado, apresentado para a imprensa e muito bem recebido por seus companheiros de cela.

E o que mais me chateia na história desse bandido (o Dantas) é que nada mais se falou sobre essa “regalia” concedida ao condenado. A imprensa se calou novamente, a sociedade já esqueceu e fica por isso mesmo. E a minha questão é: porque não mostram as falcatruas desse indivíduo por um mês inteiro na televisão ou nos jornais?

A resposta que encontro é que esse tema não vende. Com ele não dá para fazer sensacionalismo, muito menos dar espetáculo. Afinal ele é apenas mais um corrupto da longa fila. É mais um que faz as mesmas coisas que tantos outros, não é mesmo?

Isso é preocupante porque a partir do momento em que permitimos esse tipo de silêncio, nunca o Brasil conseguirá ser um país sério, realmente preocupado com as causas sociais. Sim, sociais, porque este é um problema diretamente relacionado com a sociedade. Não leiamos social apenas quando há misérias ou tragédias. Mas, também, quando há benefício para poucos, chantagem, mau caratismo, pilantragem, roubo aos cofres públicos. Precisamos ficar mais atentos!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Será que venderam o Jalapão?

Pois é minha gente, por aqui está o maior sussurro por causa de um reality show da TV americana CBS que está sendo gravado no Tocantins. Sim, sussurro porque ninguém tem tido coragem de falar sobre essa história que está causando a maior polêmica.

E por que a polêmica? Vou explicar.

A TV CBS está gravando no Jalapão, na região de Rio Sono, um reality show chamado Survivor (o original do global No Limite). Até aqui, não há problema algum. O problema mesmo está no desastre ecológico que esta equipe está causando na região quando coloca tratores e sistema de esgoto. Como se não bastasse, esses importantes produtores americanos e australianos investiram cerca de 30 milhões de dólares na super produção.

Só que além desses 30 milhões em equipamentos, de interditar as dunas do Jalapão colocando placas bilíngües com escritas dizendo “Fechado para o público” e “Propriedade Particular”, parece que eles estão tirando dos cofres da emissora mais alguns milhões de dólares para manter a imprensa de boca fechada.

Um conceituado profissional local colocou a matéria no ar (sim, no ar porque é um site) e como num passe de mágica retirou imediatamente. Questionado a respeito de sua conduta, disse que estava esperando um documento e que assim que o tal documento chegasse, colocaria novamente no ar. Isso, óbvio, ainda não aconteceu.

Mas gente, o pior ainda está por vir. Uma fonte super-hiper segura veio até minha casa nesta noite para fazer uma revelação que me deixou bem preocupada: o nosso governador Marcelo Miranda, em visita ao local teve que pedir licença para entrar no território que ele comanda. Com o espaço aéreo fechado, o avião do governador precisou alterar a rota. Mas até aí tudo bem.

Só que deixou de estar bem quando, ainda segundo minha fonte, o governador assinou um contrato de 10 páginas (em inglês). Detalhe: ele nem leu o que dizia o contrato. Assinou e colocou o número do CPF. Havia uma intérprete junto, porém nem se deu o trabalho de ler. Afinal eram 10 páginas e elas não tinham nada de mais a não ser cláusulas de “confidencialidade”, certo? Nem tanto.

E se ali existe alguma cláusula doando o território à TV CBS? E se lá há uma cláusula de compromisso em que toda vez que eles quiserem vir para cá terão as mesmas regalias. Afinal, até onde o governador sabia, o programa era um documentário que falaria do Jalapão e seria divulgado em 120 países. Há poucos dias ele ficou sabendo que era um programa de sobrevivência.

O pior é que essa assinatura de contrato foi registrada por fotógrafos que tiveram os chips de suas câmeras confiscados. E sabem quem confiscou? Os próprios jornalistas da Secretaria de Comunicação do Estado que, aliás, também assinaram o bendito contrato.

Ah, já ia me esquecendo. A minha mega fonte também contou que jornalistas e editores de um dos maiores veículos de comunicação do Estado também estiveram lá, acharam tudo muito lindo, distribuíram sorrisos e, adivinhem.....não publicaram nem uma vírgula sobre o tal programa e suas badernas ambientais. Eu soube ainda que o Ministério Público Federal não gostou nada de receber essas notícias e já está pedindo explicações.

Bom, dizem que a equipe fica no nosso (se é que ainda é nosso) território até 12 de dezembro. Nem preciso dizer que, de setembro para cá, muitas festas "fantásticas" aconteceram por lá. Inclusive, um dos produtores Alton Desiree, 36 anos, morreu após saltar de uma cachoeira. Testemunhas dizem que ele tinha tomado todas. Segundo informações de pessoas que presenciam os acontecimentos, a embaixada dos Estados Unidos ainda não tinha informações do caso. A grande questão agora é: será que o governador vendeu o Jalapão para os gringos? Hipoteticamente, isso é impossível. Mas, depois de 10 páginas em inglês, ninguém garante nada...muito menos eu. O suspense está no ar!

sábado, 29 de novembro de 2008

Mais uma do Brasil

É minha gente, nada mais me incomodou tanto nesta semana que passou do que a absolvição do “doutorzinho” Thales Ferri. Aliás, por unanimidade de 23 votos mais um assassino está de volta às ruas com todas as regalias possíveis e, acreditem, com mais de R$ 500 mil para receber de salários atrasados. Isso sem falar nos R$ 18 mil mensais.

Eu estava acompanhando os comentários a respeito dessa notícia e me solidarizei com uma pessoa que disse: “depois dessa, só vomitando”. E é isso aí. Quem sabe se começássemos a campanha do “vomite assim que alguém for solto por unanimidade pelos promotores de justiça” talvez esses senhores respeitáveis pensassem um pouco melhor a respeito de suas decisões. Afinal, ninguém vai querer nadar num rio de vômito. Eca!

Mas vamos aos fatos: o Brasil cada vez mais se consolida como a terra de ninguém, como a República das Bananas. Mais que isso, está se tornando a maior consumidora de pizza do mundo cujo trabalho dos pizzaiolos está fixado em gabinetes e ao invés do avental e da touca branca vestem ternos e gravatas importados e camisas de colarinho branco.

Aí, um outro alguém disse que o povo tem os mandatários que merece. Só que eu faço parte do povo e eu não mereço que uns caras assim me representem ou me julguem. Sabe qual é a minha opção então? Sair do Brasil. Se bem que isso não seria nenhum sacrifício porque aqui não se aprende mais nada além de samba, funk e tecnobrega.

Ah, já ia me esquecendo. Aprendemos aqui a aceitar as coisas como elas se apresentam. Aprendemos a baixar a cabeça e nos conformar com decisões como essa. Aprendemos a esquecer o que realmente é importante e nos deixamos distrair com futilidades e inutilidades como casos de histórias de amor mal resolvidas entre os artistas globais.

É triste, mas é real. Não podemos ser nada além do que meros espectadores. Tomando emprestada uma idéia de Chico Buarque, ficamos olhando a banda passar. Agora eu só não consigo entender uma coisa: como uma pessoa tem uma arma em seu carro durante um passeio com a namorada, depois tem tempo de ir até o carro buscá-la tranquilamente mesmo alegando ter um grupo grande de pessoas o ameaçando e ele, sozinho no meio da roda, dispara 12 tiros. E isso se configura como legítima defesa?

Ó céus, imagina só se essa moda pega?! Só quero ver se isso acontecer com uma pessoa comum sem ter o respaldo de um cargo super-mega-importante. Será que para nós, seres inferiores e imbecis, essa alegação de legítima defesa iria valer? Provavelmente já estaríamos atrás das grades recebendo as boas-vindas de outros presos, comendo uma apetitosa papa de presídio e dormindo em confortáveis camas Queen Size de cadeia, visualizando o sol que certamente nasce quadrado.

Espantoso? Sim, porém, real.

domingo, 16 de novembro de 2008

Mensagem do Wagler sobre a vó Oliva

Meu marido resumiu melhor que eu a minha avó e o significado de sua vida. Bela mensagem. Obrigada pelo seu carinho de sempre e pelo abraço acolhedor.

Como resumir 100 anos de vida em poucas linhas?

Amor, Fé, Dedicação, Família, Alegria, Harmonia com a Vida.


Tudo era bom. O casamento era bom. Os filhos eram bons. Os netos eram bons. A casa era boa. As massas eram boas. O copo de vinho era bom. O chimarrão era bom.

Sabem aquela pessoa para quem tudo estava bom. Era a Vó Oliva. Um ensinamento de vida.


Casa organizada. O jardim bem aparado. O pé de louro bem podado, e as flores bem cuidadas e lindas.


Costumeiramente bem vestida e bem penteada. Olhos azuis atentos e sorriso largo na boca.


Seus bons hábitos a acompanharam sempre. Desde a organização e vaidade já comentadas até a boa comida e hospitalidade inigualável.

Criou uma grande e linda família e reuniu a todos numa belíssima festa e logo depois no seu suspiro final. E assim como o Vô Higino, escolheu a mão de sua filha Cleomar para guiá-la nesse reencontro.

Foi em Paz e Feliz

Wagler

Uma guerreira até o fim


Meus queridos leitores, é com profunda tristeza que venho aqui neste espaço dedicado a reflexões comunicar a todos o falecimento da minha querida vó Oliva. Sim, aquela que comemorou seus 100 anos bem vividos no último mês de setembro. Apesar de ser um comunicado, nem por isso deixa de ser um momento de reflexão.

Isto porque minha avó (incansável) lutou bravamente até o último fiapo de sua vida. Quinze dias após a sua festa, ela foi pega de surpresa por uma pneumonia que a levou ao hospital de onde não saiu mais até a manhã deste domingo. Foram longos dois meses que a maltrataram. Em primeiro lugar, teve que sair de sua casa que sempre foi a marca de união da família para ficar presa a uma cama de hospital.

Depois disso, foram longos períodos tomando injeções, medicamentos até que o apetite passou a lhe faltar. Daí foi introduzida uma sonda que permitia a sua alimentação através do nariz. Sem falar nas assaduras e nas forças das pernas que foram se acabando.

Minha avó ficou quase uma semana sem falar. As palavras que saiam quase que timidamente de sua boca retratavam a indignação de ser judiada em seu final de vida. Ela não se conformava com sua situação, dizia que não merecia passar por aquilo tudo e pedia misericórdia a Deus.

Sim, o seu pedido ia diretamente àquele Deus ao qual ela dedicou toda a sua fé em seu século de vida. Lúcida até o fim, antes de seu último suspiro falou o nome de cada um de seus oito filhos. Minha mãe, Cleomar (outra guerreira), estava segurando sua mão e dava as notícias de cada um deles. Depois disso, tudo acabou.

As minhas viagens a Passo Fundo jamais serão as mesmas. Toda vez que ia para lá tinha como parada certa aquela velha casa de madeira situada no centro da cidade. A única hoje.

O velho chá da tarde, aquela risada gostosa de ouvir, os conselhos, o otimismo, a simplicidade de uma boa mamma italiana e a sabedoria de quem já havia vivido muita coisa foram as maiores riquezas que uma neta como eu poderia ter recebido. Durante muito tempo achei que a vó Oliva era imortal. Ela estava com todos, não faltava uma festa, um batizado, uma formatura, um casamento. Sempre com uma palavra gentil, um sorriso nos lábios e aquele abraço que a gente ficava querendo mais.

Se um dia eu conseguir ver a vida da maneira que ela via, já me considero uma mulher feliz. Acho que agora entendo porque ela gostava mais do sol do que da chuva: uma pessoa com tanto amor no coração só poderia espalhar esse sentimento através da intensidade dos raios solares. Mas quando chovia também não tinha problema. Ela dizia que a chuva "fazia bem prá lavoura".

Enfim, parece piegas falar que ela foi uma lição de vida. Mas ela foi mesmo. Agora, fica a saudade e ficam as lembranças. Eu nunca convivi com um avô, mas tenho certeza de que a minha avó foi a coisa mais fascinante que já tive contato.

O céu com certeza é todo seu agora vó. E tomara que aquele beijo que a senhora um dia me disse ter vontade de dar novamente no vô Higino já tenha acontecido. E que seus olhos agora estejam voltados para todos nós que estamos aqui e que certamente tentaremos encontrar no seu exemplo a coragem para seguir adiante e enfrentar tudo o que a vida for nos oferecer.

Obrigada por tudo, descanse e tenha certeza de que tudo realmente foi muito bom.

domingo, 19 de outubro de 2008

Polícia altamente preparada?

Pois é meus caros leitores, e vocês já pensaram se a polícia de São Paulo não fosse preparada? De repente Eloá ainda estaria viva, não é mesmo?

Começo esse texto lançando essa reflexão porque já fiz todos os esforços possíveis para entender o que aconteceu nesse cárcere privado em Santo André que, depois de 100 horas, acabou de maneira trágica, com as duas meninas de 15 anos Eloá e Nayara, baleadas e com o ex de Eloá preso, sem maiores ferimentos.

Lindemberg (o ex) sofria por amor. Quem de nós já não sofreu por causa de um fora né. Mas ele foi além. Já que estava com o seu coração machucado, resolveu machucar a causadora de sua dor. Enfim, não vou contar o que aconteceu porque vocês já foram bombardeados pela imprensa relatando o caso.

O que eu quero aqui é falar da polícia. Uma polícia munida de uma “inteligência” fora do comum. Uma polícia tão inteligente que chegou ao ponto de devolver uma refém já libertada para o cativeiro para ficar novamente com uma arma apontada em sua direção.

O que será que eles pensaram? Que uma menina de 15 anos poderia assumir a responsabilidade de negociar com um louco apaixonado e doído de tanto amor? Talvez eles não se sentissem mais aptos a fazer o serviço deles e estivessem querendo seguir o conselho do próprio seqüestrador quando mandava o negociador dizer que estava cansado. Lembrei-me do sábio capitão Nascimento falando para o 02 “Pede prá sair”...parece até piada.

Mas nesses últimos dias só se ouvem justificativas de todos os lados. Uma delas é que esse grupo especial é um dos mais bem sucedidos no que se refere à negociação com reféns. Parece que já conseguiram 43 libertações com vida. Mas eles mesmos admitem que com o mal de amor é mais difícil de lidar.

Aí fico pensando: “será que eles nunca sofreram por amor?” Acho que eles sofrem é com o salário, com a falta de preparo, com a falta de sensibilidade e, perdoem-me seus “puliça”, pela falta de sensibilidade ao devolver a refém ao seqüestrador.

A hipótese do sedativo foi descartada porque Liso desconfiaria e perderia a confiança na equipe. Inclusive disseram que não poderiam fazer isso sem prescrição médica pois é o tipo de medicamento que pode dar reação alérgica. Gente, isso poderia ter salvo as meninas e o próprio seqüestrador de um trauma maior.

Nayara sobreviveu e se recupera bem, mas certamente nunca vai esquecer o que aconteceu. Eloá se foi e seus órgão serão doados (tomara que quem ficar com o seu coração não sinta a angústia que ela deve ter sentido) e Lindemberg que poderia ter pego apenas 1 ano e meio de cadeia vai perder toda a sua juventude enclausurado e vai se tornar um verdadeiro bandido de fato (isso se não derem um jeitinho de acabar com ele na prisão mesmo).

Mas a impressão é que a polícia altamente preparada de São Paulo não fez essa análise. Explodiram uma porta que tinha uma mesa impedindo a entrada. Isso possibilitou os disparos que, por conseqüência, causaram a morte de mais uma jovem inocente.

Simplesmente é o tipo de assunto que me provoca uma revolta sem fim. Não se pode brincar dessa maneira com vidas humanas, com pessoas inocentes. Um crime passional que poderia não ter maiores conseqüências, agora transformou um jovem apaixonado em um bandido abominável.

E agora eu pergunto: a culpa é de quem? Se conseguirmos responder a essa pergunta antes dos próximos 30 anos em que o seqüestrador ficar cumprindo pena, já é um bom começo.

domingo, 12 de outubro de 2008

O que fazer com essa tal liberdade?

Meus amigos, ouve-se muito o conceito "liberdade de expressão" por aí. Define-se liberdade de expressão como sendo o direito de manifestar "livremente"opiniões, idéias e pensamentos. Basicamente, este conceito está inserido nas atuais democracias onde, teoricamente, a censura não deveria ter respaldo moral.

Ótimo. Lindo conceito!

Porém, esse direito que nos foi assegurado pela Constituição de 1937, foi perdido durante a Ditadura Militar. Antes dela, Getúlio Vargas não extinguiu a liberdade de pensamento, mas criou uma lei de imprensa onde a colocava como criminosa se não seguisse as normas estabelecidas.

Durante a Ditadura, esse direito na sua totalidade foi extinguido de nós, cidadãos que só foi retomado com a Constituição de 1988, quando um regime maquiado como DEMOCRACIA passou a vigorar novamente no nosso país.

Mas vamos lá. São 20 anos de Constituição. E não devemos acreditar que a liberdade de expressão realmente existe. Princicipalmente na imprensa. Nós, jornalistas, ainda somos "vigiados" em nossos textos. As empresas onde trabalhamos querem ver o que opinamos antes de aprovar sua publicação. As instituições para as quais pertencemos nos cobram posicionamentos que convenham a elas. Muitas vezes (e muitas mesmo) precisamos nos adaptar ao pensamento e à conduta de nossos mandantes para não perdermos aquele salário que paga as nossas contas.

Por conta disso, e para cobrir essas "recomendações", criou-se uma outra expressão: profissionalismo. Ou seja, se você for realmente um PROFISSIONAL você deve aceitar o que estão lhe impondo.

E o direito a livre expressão? Se eu não sou um profissional, quer dizer que também não posso ser um ser humano com minhas próprias visões e opiniões sobre a sociedade, a política, a vida como um todo? Até onde realmente somos livres?

Levando-se em consideração que a liberdade de expressão passou a ser vigiada pelos regimes políticos, será mesmo que a política que se faz hoje é algo que valha a pena? Vivemos em um país onde o Presidente da República manda tirar do ar um comercial de televisão, onde a justiça proibe a publicação de livros, a divulgação de músicas e a realização de shows. Isso não é censura? E a tal da democracia?

O verdadeiro princípio democrático tem um elemento indissociável que é a liberdade de expressão. Em contraposição a isso, existe a censura que representa a supressão do Estado democrático.

Para o nosso querido amigo de todas as dúvidas Aurélio, liberdade é a faculdade de cada um decidir ou agir segundo sua própria determinação, podendo agir no seio da sociedade organizada. Também está relacionada a confiança, familiaridade, intimidade. E o que fazer com ela se somos vigiados?

Aliás, o conceito de liberdade vigiada é adotado para presidiários que ganham suas liberdades condicionais e, por isso, não é uma liberdade plena.

Não vivemos entre as grades de uma prisão, mas o que se mostra todos os dias é que estamos vivendo nos limites das grades sociais e políticas que tanta gente defende e aceita como sendo DEMOCRACIA.

O grande Renato Russo já perguntava "Que país é esse?". Eu agora lhe pergunto: "Que liberdade é essa?". Uma liberdade enfeitada de nuvens brancas que, na verdade, escondem os mais negros temporais que trazem consigo trovões e raios que têm como ponto final o cidadão comum, o cidadão de bem que, por não ver maldade nas coisas, acredita que para ter profissionalismo precisa baixar a cabeça e aceitar as imposições que "a vida" lhe propõe.

É uma farsa acreditar que estamos livres no Brasil. Já diz o hino do meu querido Rio Grande do Sul: "Mas não basta prá ser livre, ser forte, aguerrido e bravo. Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo".

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Um século de história


Quero compartilhar com todos vocês uma grande alegria e um imenso orgulho. Estou no Rio Grande Sul, na cidade de Passo Fundo (minha terra natal), para comemorar os 100 anos bem vividos de minha avó materna: a vó Oliva. Na verdade, ela fez aniversário no dia 15 de agosto, mas a festa só aconteceu neste final de semana, dia 6 de setembro.

A festa foi linda. Ela estava linda como vocês podem ver na foto. E é um orgulho enorme ver uma pessoa como a vó Oliva chegar inteirona aos 100. Quantas lembranças, quantas histórias, quantas risadas. Acho que nunca vi a minha avó triste. A única vez que a vi chorar foi quando (em minhas precoces ações como repórter) aos 12 anos resolvi “entrevistá-la”.

Durante o papo, com direito a microfone improvisado, questionei sobre o saudoso vô Higino, seu companheiro durante 48 anos. Ela disse que a única tristeza de sua vida foi ter ficado sem ele e que, quando a saudade apertava, ela pegava o terço e começava a rezar.

Meus avós são italianos puríssimos. Na época de casados, o hábito era rezar o terço antes de dormir. Porém, a vó me contou que quando iam se deitar, ele lia trechos da bíblia para ela que ficava aconchegada em seu peito. Ela não sabia ler e ele queria agradá-la. Fiquei imaginando como deveria ser bonito ver essa cena uma vez que, naquela época, normalmente os casamentos eram arranjados e tinham como único fim a procriação.

Uma história de amor assim era rara. E olha que minha avó abandonou um noivo rico para ficar com o namorado pobre. Enfim, coisas que somente a vida pode explicar. E foram anos de dificuldades, anos de “vacas magras”. Mas, quando alguém pergunta o que foi mais difícil ela responde: “Nada foi difícil. Prá mim foi tudo bom”. Pessoas com tanto positivismo são tão raras quanto as histórias de amor verdadeiro.

Eu poderia citar mais um monte de histórias emocionantes ou engraçadas. Só que o que eu quero mesmo é dizer que sou uma privilegiada em ter um exemplo de vida para conduzir os meus passos. Tenho reclamado muito das coisas, estou numa fase um tanto revoltada principalmente com o nosso país, mas ter passado esses dias por aqui me permitiram tomar uma injeção de otimismo.

Mais uma vez a vó Oliva me fez enxergar que na vida as coisas são tão simples que podem até ser boas. Quando fui me despedir dela, ela me aconselhou: “Tu e o teu marido não podem ficar doentes porque no final do ano vocês precisam vir aqui na minha casa e me fazer uma comida bem boa. E eu também vou me cuidar para esperar vocês”. O que mais eu posso falar dessa mulher? Só isso já mostra o quanto ela é lúcida e o quanto ela ainda quer compartilhar com as pessoas a alegria de viver.

Até dezembro dona Oliva. E parabéns novamente!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Para que calar a boca?

Outro dia eu e meu marido estávamos fazendo algumas pesquisas na internet. Nem lembro mais qual era o nosso objetivo de pesquisa. De repente, ele me chama a atenção para um texto cujo título era “Quanto custa calar a boca”, assinado pela jornalista Marcela Valente, publicado no site da Agência de Notícias Inter Press Service (IPS), uma das principais fontes mundiais de informação sobre temas globais, que conta com o apoio de uma rede de jornalistas em mais de 100 países.

Em seu artigo, Marcela faz o levantamento de uma pesquisa feita em sete países da América Latina (Argentina, Colômbia, Costa Rica, Chile, Honduras, Peru e Uruguai), realizada pela Associação pelos Direitos Civis da Argentina (ADC) e pela Iniciativa Pró-Justiça da Sociedade Aberta, com sede em Nova Iorque.

Constatou-se uma tendência crescente e absurda: a interferência dos governos dessas regiões em interferir na independência de meios de comunicação e de jornalistas por meio de mecanismos “sutis”, desconhecidos, é claro, do grande público.

Segundo Marcela, algumas das formas de “pagamento” são o direcionamento de fundos para publicidade estatal com a finalidade de “premiar” coberturas favoráveis e castigar críticas, contratos de pagamentos direto a jornalistas, ou reclamações com editores contra funcionários em razão da publicação de determinada notícia. Essas são algumas das práticas que limitam a liberdade de expressão e que são executadas debaixo dos panos.

Até alguns anos atrás, havia perseguições, censura direta e até mesmo assassinatos de jornalistas. Atualmente, dentro dos chamados “padrões comuns de intromissão” percebe-se o uso e abuso da publicidade oficial para condicionar conteúdos. O jornalista hondurenho Rodolfo Montalbán, afirma, no texto, que não compram apenas o espaço publicitário, mas a sua consciência.

Não se pode falar mal de prefeitos, de deputados, de governante nenhum. Há jornalistas na Colômbia e no Chile, por exemplo, que complementam sua renda com esse contrato publicitário, o que lhes garante a sobrevivência.

Na Argentina, os jornalistas que recebem bons salários, também são tentados a se venderem. No Uruguai, jornalistas denunciam pressões feitas através de telefonemas tanto para eles, quanto para seus chefes e dizem ser esta uma prática de costume. Nesses países não há lei que regulamente os orçamentos publicitários.

E no Brasil?

No Brasil tudo acaba bem. Nós estamos satisfeitos quando a imprensa consegue “esquecer” o juiz Nicolau, o Sérgio Naia, o nosso poderosíssimo Daniel Dantas. Não é nem culpa dos contratos publicitários, mas de nós mesmos, cidadãos, que não gostamos de briga. Queremos paz!

Só que enquanto a paz reina absoluta, os ladrões estão soltos, carregando dinheiro dentro de suas cuecas, ou gastando com os melhores vinhos, ou ainda, aproveitando seus iates de última geração.

E a imprensa brasileira?

Ah, meus amigos. Tem horas que eu já nem sei mais o que faço com essa minha profissão de jornalista. Aqui, ninguém tem coragem de enfrentar e incendiar a população. Tem muito jornalista, sim, que acha que gritando na televisão vai conseguir mudar alguma coisa. Que com sensacionalismos vão mudar a postura da imprensa. Mas não.

À imprensa cabe um papel muito maior do que este que estão querendo fazer com você, cidadão.

Hoje em dia o jornalismo investigativo sai muito caro para as emissoras e veículos de comunicação. O jornalismo opinativo, sem qualquer tipo de suporte argumentativo é mais barato. Barato porque a sociedade aceita ouvir “coisas”. Até acha interessante.

Mas investigar para que? Só para bagunçar a vida dos pobres ladrões de colarinho branco? “Coitados, eles já fizeram tanta coisa. Deixem-nos ficarem quietinhos no canto deles né”.

É uma pena, mas ficar calado é muito mais fácil. Engolir sapos a seco parece ser mais palatável do que fazer o certo, do que falar a verdade. Não se deixem enganar. Só é bobo quem quer. Mas, enquanto isso a CPI nem começou direito e o Daniel Dantas já conseguiu o direito preventivo para, quando for chamado, não responder a nenhuma pergunta. Na verdade eu só queria fazer uma: quanto ele paga para o Supremo Tribunal Federal, para que tenham tanto medo de serem descobertos?

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Um adeus

Eu acho que nenhuma pessoa deveria sofrer para morrer. Se eu fosse escolher uma forma menos ruim para isso, escolheria morrer dormindo, ou com um tiro certeiro. Ou então nem morreria. Quem sabe se a pílula da eterna juventude deixasse de ser uma fábula e passasse a ser um elixir comercializado como a água em garrafinhas pet e tendo a opção de natural ou com gás?

Lembram do avô do meu marido que esteve internado no “excelente” HGP? Pois é. Infelizmente ele foi vencido por abomináveis 10 anos do Mal de Alzheimer. Ele morreu em casa, no último dia 18, nos braços do seu neto e com essa nova neta aqui sentada do lado esquerdo de sua cama. É importante salientar que este é o lado do coração.

O coração, porém, enfraqueceu. Os pulmões também não resistiram. Mas, eu jamais imaginei que testemunhar a morte seria tão doloroso. Talvez eu esteja exagerando, mas ver alguém que amamos morrer diante dos seus olhos sem que nada se possa fazer, dói muito. É impossível de acreditar.

De repente os olhos se abrem numa estranheza indescritível, a face recebe o tom arroxeado que, numa fração de segundos, passa para o branco e, mais rápido ainda: o silêncio invade nossos ouvidos, corações e mentes.

Não conheci o vô Waldo em sua lucidez. Quando conheci meu marido, ele já estava doente. Mesmo assim, convivi por 6 anos com esse homem que tantas histórias incríveis as pessoas tinham para contar. O Wagler, meu marido, era um apaixonado pelo vô. Talvez por isso tenha feito tudo o que fez com tanto carinho e prazer.

Nos primeiros dias do vô morando aqui conosco, eu fui consolada pelo Wagler quando me emocionava ao ver a maneira dedicada que ele o cuidava. Na madrugada de seu falecimento, novamente o Wagler foi quem me consolou. Na verdade ele era o neto, ele é quem deveria ser consolado. Não eu.

Mas isso me fez ver a muralha que meu marido é. Uma muralha de força, de energia e de muito amor. Minha admiração e meu amor por este homem, que já eram imensos, só fez crescer. Vi ele fazer coisas que não é qualquer neto ou filho que faria. Foram madrugadas inteiras acordado medindo febre, controlando vômitos, limpando fraldas. Manhãs dando banho e preparando comida. Desespero quando tinha que ir ao hospital. E muita serenidade quando pôde servir de amparo ao corpo quando este perdeu a vida.

Porém, nada foi maior do que o amor. Nada me impressionou mais do que a dedicação. Nenhum pecado foi maior do que o excesso de zêlo.

Vô, o senhor criou um homem de bem, de caráter puro, com uma honestidade inabalável e com um coração tão grande que não se consegue identificar os limites. Obrigada por ter me ensinado que a vida é muito mais do que conseguir "coisas" e, sim, dedicar-se a quem amamos.

E fique tranqüilo porque aqui na terra os seus ensinamentos serão seguidos. Só tenho um pedido a lhe fazer: se eu e o Wagler tivermos direito a ter um anjo da guarda cuidando de nós, que esse anjo seja o senhor.

Esteja em paz!


quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Quem está sendo desacatado?

“Artigo 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa”. É isso que se lê em um cartazinho mixuruca quando chegamos ao hall de entrada do Hospital Geral de Palmas (HGP). Mixuruca mas que todos os funcionários públicos do órgão acreditam ter grande efeito inibidor nos pobres cidadãos comuns que nem sequer têm o direito de se revoltar com o mau atendimento que seus entes queridos recebem por lá.

Já que não posso “desacatar” os coitadinhos em seu local de trabalho, vou externar a minha revolta aqui. A não ser que a censura tenha voltado ao Brasil (e eu já não estou mais duvidando disso), acho que ao menos escrever eu ainda posso.

Para situá-lo, leitor, meu marido tem um avô de 89 anos, portador da Síndrome de Alzheimer que mora conosco. Para piorar o seu quadro, há cerca de quatro anos ele sofreu um derrame cerebral o que faz com que ele não tenha condições de andar, de se mexer, de falar. Há seis anos está acamado, com total rigidez dos membros. Nos últimos meses, perdeu a capacidade de engolir e sua alimentação é feita somente através de sonda nasogástrica (aquele caninho que enfiam no nariz e vai até o estômago).

Há três meses, o vô foi acometido por uma pneumonia aguda e precisamos interná-lo imediatamente. Ele estava com apenas 70% da capacidade de respiração e com muito catarro, mas muito mesmo, nos pulmões. Lá fomos nós para o hospital em questão.

Foram longos 21 dias de internação. E aqui começa o meu relato de desacato. Um desacato à saúde pública. Desacato ao direito que todo cidadão tem de receber um tratamento digno e, principalmente, ser tratado com respeito.

É sabido que os hospitais públicos são um grande problema no nosso país. Mas, muitas vezes assistimos aos noticiários no conforto de nossos sofás e não fazemos idéia real das dificuldades e sofrimentos pelos quais tanta gente passa a espera de atenção. Afinal, ninguém procura um hospital para dar um passeio, ou tomar um sorvetinho, ou fazer uma fezinha na loteria.

Quando vamos a um hospital é porque precisamos estar lá e, certamente, não temos outra escolha. Eu nem entrava no hospital. Nunca conseguia permissão. Ficava apenas do lado de fora. Lá eu vi pacientes usuários de fraldas ficarem 48 horas sem receber higiene (o cheiro já estava insuportável), 36 horas sem receber qualquer tipo de alimentação (o cara não quis comer na hora que deram então a comida ficou no canto esfriando sem ele poder alcançá-la).

Vi parentes de acidentados serem ignorados como se ignora uma folha de papel usada e sem nenhuma anotação importante. Vi crianças chorando sem parar com ferimentos nas costas, mas que os importantes funcionários diziam estar fazendo manha. Vi macas cheias de sangue ser reutilizadas em outros pacientes (impressionante...parece que ninguém ouviu falar em pano limpo e álcool).

Vi uma equipe de fisioterapeutas deixar pacientes completamente roxos com os excessos dos exercícios para “ajudar” na melhoria dos movimentos (acho que eles se enganaram e pensaram estar preparando o pessoal das Olimpíadas).

Vi médicos questionando familiares sobre se faria alguma diferença confirmar um quadro neurológico do qual não tinham certeza. Vi enfermeiras disputando com veemência uma vaga de acompanhante de internação para poder ganhar um dinheirinho a mais (um extra que os familiares se submetem a pagar quando não têm condições de ficar em tempo integral com o paciente).

Vi seguranças extremamente despreparados e grosseiros no trato com os nada importantes pais, mães, filhos e netos dos pacientes. Vi gente dormindo nas cadeiras do lado de fora porque vieram de cidades do interior e não tinham onde ficar e nem previsão de quando iriam embora.

Vi enfermeiras fazendo o papel de “garota de mensagem” dando desculpas esfarrapadas para pacientes que não iriam ser atendidos. E eu vi muita sujeira. Nos quartos tinham aranhas enormes grudadas em suas fortes teias no teto. Vi tanta coisa que preferia ter ficado cega. Porém, me convenci que cega eu estava antes.

Será que devemos nos conformar com o que nos obrigam a engolir como uma verdade absoluta? Será que devemos aceitar uma ameaça velada em um cartaz na porta de entrada de um hospital? Será que nós também não estamos sendo desacatados? Por que devemos obedecer a tudo e todos? Será que se eu reclamar serei uma pessoa má e irei para o inferno? Um funcionário “acorbertado” pelo Estado pode ser desrespeitoso com o ser humano?

Não é preciso conhecer as leis para que entendamos que é criminoso tratar cidadãos que sofrem por doença, seja o paciente, ou seus cuidadores, com descaso. Pode não ser crime nas leis em vigor, mas é crime social, é crime de natureza humana e, cuidado importantes funcionários: esse pode ser um crime contra Deus (vocês poderão arder no mármore do inferno).

Infelizmente, o nosso avô caiu da cama outro dia e precisou voltar o hospital. Foram mais dois dias em que ficamos a mercê da “boa vontade” dos funcionários daquele órgão. E não é que eu vi mais uma! A enfermeira chefe me ligou dando bronca porque nós não estávamos lá. Mas não são eles mesmos não deixam entrar? Ô, moça, vocês se decidam!

É triste saber que fazemos parte de uma sociedade composta por arranjos de todos os tipos (políticos, sociais, financeiros). É mais triste ainda ter consciência de que o Brasil não vai mudar tão cedo porque ainda não temos maturidade e conhecimento suficiente dos nossos direitos. Só que os nossos deveres são cuspidos na nossa cara todos os dias.