quinta-feira, 22 de março de 2012

Professor: uma figura que está sendo descartada pelo sistema

Caros leitores há muito tempo não atualizo este blog pelas mais diversas razões que agora não vêm ao caso. Mas, lendo o e-mail que reproduzirei abaixo na íntegra, não pude deixar de entrar nessa corrente e concordar com o professor Maurício Girardi, de Porto Alegre, que teve sua triste experiência divulgada pelo Jornal Correio do Povo, em junho de 2011, na coluna do jornalista Juremir Machado da Silva.

Concordo que, hoje, a sociedade está cada vez mais descartando o professor que já foi tão respeitado em tempos de outrora. Eu sou filha de uma excelente professora de Português já aposentada pelo Estado do Rio Grande do Sul e que sempre relatou histórias lindas de gratidão de seus alunos. Eu, enquanto fui professora universitária, recebi várias cartas de reclamação de alunos feitas na ouvidoria porque exigia muito nos trabalhos solicitados e por reprovar alunos que julguei estarem totalmente despreparados. Sem falar naqueles que copiavam da internet um TCC inteiro e eu descobria.

Mas, uma coisa que este sistema de ensino atual não quer entender, é que cada vez mais se formam profissionais burros, sem condição alguma de pensar e entender o mundo e, muito menos, refletir sobre as reais condições em que o nosso país se encontra. E lamento dizer: não é nada que os livros didáticos financiados pelo governo dizem. Estamos prestes a viver uma ditadura imposta e ninguém percebe. Mas, enquanto isso, os livros de história exaltam o primeiro presidente metalúrgico que era pobrezinho e a primeira PRESIDENTA mulher. Aliás. O erro já começa aqui porque a palavra PRESIDENTA está errada. Ou as meninas deveriam ser chamadas de ESTUDANTAS?????

É isso aí gente. Leiam o e-mail do professor Girardi e passem adiante se acharem que este desabafo vale a pena. Eu acho que vale! E não esqueçam que as novas eleições estão chegando.

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Triste história de um professor

Porto Alegre (RS), 16 de julho de 2011

Caro Juremir (CORREIO DO POVO/POA/RS)

Meu nome é Maurício Girardi. Sou Físico. Pela manhã sou vice-diretor no Colégio Estadual Piratini, em Porto Alegre, onde à noite leciono a disciplina de Física para os três anos do Ensino Médio. Pois bem, olha só o que me aconteceu: estou eu dando aula para uma turma de segundo ano. Era 21/06/11 e, talvez, “pela entrada do inverno”, resolveu também ir á aula uma daquelas “alunas-turista” que aparecem vez por outra para “fazer uma social”. Para rever os conhecidos.

Por três vezes tive que pedir licença para a mocinha para poder explicar o conteúdo que abordávamos.

Parece que estão fazendo um favor em nos permitir um espaço de fala. Eis que após insistentes pedidos, estando eu no meio de uma explicação que necessitava de bastante atenção de todos, toca o celular da aluna, interrompendo todo um processo de desenvolvimento de uma ideia e prejudicando o andamento da aula. Mudei o tom do pedido e aconselhei aquela menina que, se objetivo dela não era o de estudar, então que procurasse outro local, que fizesse um curso à distância ou coisa do gênero, pois ali naquela sala estavam pessoas que queriam aprender' e que o Colégio é um local aonde se vai para estudar. Então, a “estudante” quis argumentar, quando falei que não discutiria mais com ela.

Neste momento tocou o sinal e fui para a troca de turma. A menina resolveu ir embora e desceu as escadas chorando por ter sido repreendida na frente de colegas. De casa, sua mãe ligou para a Escola e falou com o vice-diretor da noite, relatando que tinha conhecidos influentes em Porto Alegre e que aquilo não iria ficar assim. Em nenhum momento procurou escutar a minha versão nem mesmo para dizer, se fosse o caso, que minha postura teria sido errada. Tampouco procurou a diretoria da Escola.

Qual passo dado pela mãe? Polícia Civil!... Isso mesmo!... Tive que comparecer no dia 13/07/11, na 8.ª (oitava Delegacia de Polícia de Porto Alegre) para prestar esclarecimentos por ter constrangido (“?”) uma adolescente (17 anos), que muito pouco frequenta as aulas e quando o faz é para importunar, atrapalhar seus colegas e professores'. A que ponto que chegamos? Isso é um desabafo!... Tenho 39 anos e resolvi ser professor porque sempre gostei de ensinar, de ver alguém se apropriar do conhecimento e crescer. Mas te confesso, está cada vez mais difícil.

Sinceramente, acho que é mais um professor que o Estado perde. Tenho outras opções no mercado. Em situações como essa, enxergamos a nossa fragilidade frente ao sistema. Como leitor da tua coluna, e sabendo que abordas com frequência temas relacionados à educação, te peço, encarecidamente, que dediques umas linhas a respeito da violência que é perpetrada contra os professores neste país''.

Fica cristalina a visão de que, neste país:

NÃO PRECISAMOS DE PROFESSORES

NÃO PRECISAMOS DE EDUCAÇÃO AFINAL, PARA QUE SER UM PAÍS DE 1° MUNDO SE ESTÁ BOM ASSIM.

Alguns exemplos atuais:

•Ronaldinho Gaúcho: R$ 1.400.000,00 por mês. Homenageado pela “Academia Brasileira de Letras"...

•Tiririca: R$ 36.000,00 por mês. Membro da “Comissão de Educação e Cultura do Congresso"...

TRADUZINDO: SÓ O SALÁRIO DO PALHAÇO, PAGA 30 PROFESSORES. PARA AQUELES QUE ACHAM QUE EDUCAÇÃO NÃO É IMPORTANTE: CONTRATE O TIRIRICA PARA DAR AULAS PARA SEU FILHO.

Um funcionário da empresa Sadia (nada contra) ganha hoje o mesmo salário de um “ACT” ou um professor iniciante, levando em consideração que, para trabalhar na empresa você precisa ter só o fundamental, ou seja, de que adianta estudar, fazer pós e mestrado? Piso Nacional dos professores: R$ 1.187,00… Moral da história: Os professores ganham pouco, porque “só servem para nos ensinar coisas inúteis” como: ler, escrever, pensar, formar cidadãos produtivos, etc., etc., etc....

SUGESTÃO: Mudar a grade curricular das escolas, que passariam a ter as seguintes matérias:

Ø Educação Física: Futebol;

Ø Música: Sertaneja, Pagode, Axé;

Ø História: Grandes Personagens da Corrupção Brasileira; Biografia dos Heróis do Big Brother; Evolução do Pensamento das "Celebridades"

Ø História da Arte: De Carla Perez a Faustão;

Ø Matemática: Multiplicação fraudulenta do dinheiro de campanha;

Ø Cálculo: Percentual de Comissões e Propinas;

Ø Português e Literatura: ?... Para quê ?...

Ø Biologia, Física e Química: Excluídas por excesso de complexidade.

Está bom assim? ... Eu quero mais!...

ESSE É O NOSSO BRASIL ...

Vejam o absurdo dos salários no Rio de Janeiro (o que não é diferente do resto do Brasil)

Ø BOPE - R$ 2.260,00.............. para ........ Arriscar a vida;

Ø Bombeiro-R$ 960,00.............. para ........ Salvar vidas;

Ø Professor - R$ 728,00......... para ..... Preparar para a vida;

Ø Médico - R$ 1.260,00............ para ........ Manter a vida;

E o Deputado Federal?.....R$ 26.700,00 (fora as mordomias, gratificações, viagens internacionais, etc., etc., etc., para FERRAR com a vida de todo mundo, encher o bolso de dinheiro e ainda gratificar os seus “bajuladores” apaniguados naquela manobrinha conhecida do “por fora vazenildo”!).

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Queridas fãs do Tchê Garotos de todo o Brasil!

Tenho visto a reação de algumas fãs em relação ao capítulo 14 do livro – Elas não poderiam faltar: as Tchê Garotetes. Por que não fui citada? Por que não aparece meu fã clube? Pois bem, quero aproveitar este espaço para explicar como foi feita a relação de histórias.


A pesquisa de fãs clubes foi feita através da internet entre sites, blogs e redes sociais e cheguei ao número de 20 fãs-clubes. Nesta relação, consegui o nome do/da presidente, telefone e e-mail de contato. Liguei e mandei e-mail para todos. Mas, muitos telefones estavam desatualizados, muitos e-mails voltaram e alguns não foram respondidos.


Daqueles que consegui contato, pedi a relação de fãs cadastradas com o telefone para eu entrar em contato. Pouquíssimos responderam. Dos que responderam, vi que 4 fãs clubes se localizavam na região metropolitana de Porto Alegre. Como preciso entrevistar e gravar o depoimento para poder colocar no livro, pensei: vou fazer um encontro de fãs clubes em Porto Alegre e ali consigo as histórias necessárias para o capítulo em questão. Mandei e-mail pra todos (da minha lista) os fãs clubes do Rio Grande do Sul, convidando para o evento, mas novamente somente esses 4 responderam.


No dia 22 de maio de 2011, viajei de São Paulo à Porto Alegre e me encontrei com os fãs clubes, somando quase 50 pessoas. Além de saber das histórias, precisava tê-las gravadas e fotografadas. Então, se eu não te entrevistei para o livro, não poderia contar a sua história.


Ainda assim, nem todas as entrevistas que fiz puderam aparecer, pois o capítulo tem apenas 16 páginas pra contar milhares de histórias. Foi sistemático e não por preferência. As fotos que lá aparecem tiveram de ser autorizadas para a publicação ou foram tiradas na hora. As pessoas que aparecem ali foram selecionadas somente por estarem próximas umas às outras.


Espero que entendam a minha impossibilidade de viajar para várias cidades no Brasil, para gravar depoimentos e colher fotos de mais de 1.000 fãs cadastradas em fãs-clubes.


Quero deixar outra coisa bem clara: O TCHÊ GAROTOS NÃO TEM NADA A VER COM ESTA SELEÇÃO. Em nenhum momento a banda interferiu no meu trabalho, e muito menos sabia que o livro ia mencionar algum fã clube. Eles tiveram participação apenas nos relatos de sua história como músicos. O CAPÍTULO SOBRE AS FÃS É DE INTEIRA RESPONSABILIDADE MINHA, ASSIM COMO A SELEÇÃO DE TUDO O QUE TEM NO LIVRO.


No período de pesquisa junto com o grupo, pude perceber o enorme carinho que eles dedicam a todos os seus fãs. E vocês, fãs sabem disso melhor do que ninguém. Provavelmente até melhor do que eu. Dediquei meu livro a vocês, a todos vocês.


No livro, verão que me desculpo antecipadamente com aquelas fãs que não foram citadas. Mas, isso não significa que não sejam igualmente importantes. Pelo contrário! A banda dedica todo o seu trabalho a vocês. EU SEI DISSO! EU ENTENDO ISSO! POR ISSO TAMBÉM DEDICO ESSE LIVRO A VOCÊS!


Um grande abraço a todas

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Tchê Garotos na Alma ... e no coração


Muita gente já sabe que escrevi o livro Tchê Garotos na Alma contando a história da banda que está na estrada há quase 16 anos. Minha vontade de escrever sobre eles começou quando eles assumiram um novo estilo musical saindo do regionalismo gaúcho para uma vanera mais sertaneja. Tiraram as vestes gaúchas e passaram a usar em cima do palco calça jeans e tênis. A partir daí uma série de fatos foram me chamando a atenção até que meu marido, Wagler, um dia perguntou: se você fosse escrever um livro, sobre o que seria? Na mesma hora respondi: sobre o Tchê Garotos.


E foi assim, de uma ideia sem maiores pretensões que esse livro se tornou realidade 3 anos depois.


Agora, estou a exatamente um mês do lançamento oficial. O livro está sendo impresso em São Paulo. Hoje tive a oportunidade de ver a prova final e fiquei muito emocionada. Pela primeira vez visualizei um sonho se tornando real nas minhas mãos. E, como não poderia ser diferente, o Wagler, meu companheiro de todos os momentos, estava ali do meu lado e ajudando com tudo.


Senti que era uma vencedora. Achei que ninguém poderia ser mais feliz do que eu naquele momento. E, realmente, ninguém poderia. Não hoje.


Esta é a capa (foto) deste que é o trabalho mais importante da minha carreira até hoje. No site www.tchegarotosnaalma.com.br você pode descobrir mais um pouco sobre o livro. Agora, estou simplesmente sem palavras e querendo curtir esse momento de tanta felicidade.


Beijos a todos e vou mantê-los atualizados sobre as festas de lançamento.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Avianca autoriza aeronave sem freios a decolar

Na última segunda-feira, 28, os passageiros da empresa aérea Avianca, que faz a rota São Paulo/Passo Fundo, tiveram que retornar ao aeroporto do Guarulhos após decolar e viajar por 50 minutos. De acordo com o comandante Fernando Faro, foi constatado durante a viagem que a aeronave, um modelo MK28, não tinha condições de pousar em Passo Fundo por causa de um problema no sistema de frenagem. Segundo ele, uma falha na manutenção não apontou que os flaps não estavam ativos e, por isso, como a pista do aeroporto de Passo Fundo estava molhada devido a uma forte chuva, e por ser muito curta, o comandante preferiu voltar a Guarulhos para garantir a segurança dos passageiros uma vez que neste aeroporto seria possível pousar com o sistema de freios manual. Em solo, os funcionários da empresa confirmaram o problema de manutenção.


A empresa deu assistência providenciando realocação para passageiros que preferiram seguir viagem para destinos próximos como Porto Alegre e Chapecó de onde sairia um ônibus os levando para Passo Fundo. Outros foram alojados em hotel com translado e alimentação por conta da empresa. Claro que tudo isso regado a muita fila e indignação. Mas, uma questão ficou no ar: como uma empresa aérea deixa uma aeronave sem freios decolar?


É válido dizer que havia mães com bebês, empresários e visitantes. E esta jornalista aqui também. Investidores americanos também estavam entre os passageiros que ficaram sem poder viajar e esse problema os fez desistir de ir a Passo Fundo. Quanto às acomodações, apesar de ser um bom hotel, com boa comida e instalações, isso nada mais é que uma maneira de amenizar a raiva e o medo pelo qual todos passaram.


No dia seguinte, para os passageiros que preferiam remarcar a viagem, o vôo que deveria sair às 13h05 não saiu. A informação é que a aeronave que faria o trajeto Guarulhos/Passo Fundo pousou tardiamente em Guarulhos e, por isso, a saída atrasaria. Num primeiro momento o embarque ficou remarcado para às 14h15. Depois, às 15h e um último boletim foi dado às 16h: o vôo foi cancelado devido a forte chuva em Passo Fundo. Ótimo! Agora uma nova observação: se o vôo tivesse saído na hora que deveria, o aeroporto de Passo Fundo estaria aberto e teríamos conseguido pousar sem maiores problemas porque a chuva forte só começou às 15h na cidade.


Desta vez, depois de abrir um processo na Anac contra a Avianca, optei por voar até Porto Alegre e depois pegar um ônibus até Passo Fundo. Mas, para isso, esperei por mais 3h30 para pegar o vôo da TAM, que saía às 19h35. Chegamos à capital gaúcha às 21h10. Depois o ônibus saiu às 22h30 e chegamos em Passo Fundo às 3h.


Talvez esteja na hora de se pensar em novas alternativas para o transporte aéreo em Passo Fundo ou, então, dessa empresa Avianca pensar com mais responsabilidade em relação às vidas que carrega em suas aeronaves. Desta vez, nada de mais grave aconteceu, mas, quem garante que, se continuar assim, não aconteça? E o que falar de uma estrutura de aeroporto, numa cidade que é capital da Literatura, que traz grandes eventos culturais, que atrai investimentos internacionais e, ainda, assim, não tem nem bancos suficientes para acomodar aqueles que esperam seu único vôo do dia. Já disseram que um projeto de ampliação do aeroporto foi apresentado à Anac, mas quando é que as coisas vão parar de existir apenas no papel? Fica a reflexão.