terça-feira, 18 de agosto de 2009

A carência como vítima

Notícia fresquinha: o médico Roger Adelmasshi, especialista em reprodução humana, foi preso em São Paulo acusado de assédio sexual e estupro. Segundo informações, o número de vítimas passa de 50 mulheres.


Aí eu pergunto: que tipo de ser é esse que abusa de mulheres num dos momentos mais delicados de suas vidas. São mulheres, casais, querendo construir uma família. Mulheres pagando muito dinheiro para realizar o sonho de ser mãe. Homens desejando mais que tudo ser pai.


Uma das vítimas conta que pagou cerca de R$ 200 mil. Outra conta que foi estuprada na mesa onde havia acabado de sofrer o procedimento de retirada de óvulos. Outras disseram que o ato não chegou a ser consumado, mas ele as beijou, as colocou contra uma estante no seu consultório.


E aí? O homem que sente tanto orgulho em ter “produzido” tantas vidas queria mesmo se sentir o pai das crianças. Para isso, fazia questão de efetivamente participar. É assim, esse tipo de gente passa a brincar de Deus, pai e todo poderoso.


Não dá pra entender. Parei e pensei: será que esse médico não está cheio de filhos espalhados por aí? Será que ele faz a reprodução em laboratório mesmo, ou ele faz pelos modos tradicionais? E as vítimas talvez nem saibam porque ele se aproveitava do efeito de anestésicos para saciar suas fantasias.


Enfim, é meio bizarro isso. E o cara ainda diz que as acusações são mentirosas. Que essas pacientes estavam sob efeitos alucinógenos da anestesia. Boa desculpa.


Mas é isso. Agora eu quero esperar prá ver quanto tempo esse crápula vai ficar na cadeia e quando ele vai voltar para a clínica. Espero que nunca mais para as duas opções.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Um crime sem castigo

Oi galera, hoje estou aqui para falar de pedofilia. Ontem (domingo) eu estava assistindo ao Domingo Espetacular, da Record, quando começou uma matéria sobre um juiz da cidade de Tefé, interiorzão do Amazonas. O nome do juiz é Antônio Carlos Branquinho e esse cara está sendo acusado de pedofilia. Na verdade, ele usava a sua casa oficial para promover orgias sexuais envolvendo menores.


Fato curioso é que, como sempre, esse juiz criminoso que apareceu na reportagem em fotos eróticas com suas “vítimas” tem o tal do foro privilegiado e o seu caso está correndo em segredo de justiça em Brasília. Ele teve prisão preventiva decretada no dia 25 de junho, se apresentou 10 dias depois na delegacia, mas foi solto após cinco dias de detenção, como não poderia deixar de ser. A investigação em cima deste caso acontece desde fevereiro deste ano.


Um outro pedófilo foi condenado e preso na mesma cidade. Ele estava com duas crianças em um motel (uma de 11 e outra de 12 anos) e foi preso em flagrante. Segundo o pedófilo preso, o seu caso foi resolvido em um mês e 20 dias e foi condenado a 12 anos de reclusão.


Agora eu pergunto: a justiça não deveria ser igual para todos?


Cara, isso é revoltante. Esse FDP come as criancinhas e ainda assim tem foro privilegiado?! Perdoem-me essas expressões, mas não consigo analisar de outra forma. Pedofilia é crime. Tem fotos e vídeos comprovando todas as acusações contra ele. Ridículo esse nosso sistema de justiça.


Talvez alguém que represente o judiciário leia esse artigo e queira comentar alguma coisa em defesa desse poder defasado e sem critérios. Escrevam o que quiserem, afinal defendo a liberdade de expressão que é outra coisa que os senhores nos podam, mas continuarei achando essas suas ações ridículas e dignas de todas as críticas.


Juiz tarado, pedófilo, explorador.


Outra questão é: o que leva um homem feito ou uma mulher adulta a querer “pegar” criancinhas? Com tanta gente se vendendo a preço de banana na rua, por que acabar com a vida e com os sonhos de uma criança que certamente levará esse trauma consigo o resto da vida? Não defendo a prostituição, mas já que tem, então se virem com ela e não com crianças.


Sinceramente eu não sei o que se passa com essa gente. Esse juiz é casado e tem uma filha. Será que ele ia gostar que um outro juiz velho e babão fizesse isso com sua filha? Pois é. E agora esse espantalho humano entrou com pedido de aposentadoria no Tribunal de Justiça do Amazonas. E provavelmente vão conceder a aposentadoria. E vão esquecer o que aconteceu. Porque para essa instituição não vale o crime em si, mas, sim, as marcas que isso poderia deixar no judiciário. Eles devem pensar que tirando um mau exemplo de circulação, fica tudo certo né. Ele que faça suas festinhas, desde que não seja mais juiz está tudo ok.


Que raiva disso viu.


Junto com esse calhorda foram presos outros dois funcionários do judiciário de Tefé. Mas estes estão na penitenciária. Justiça ordinária!


Vou parar por aqui. Isso me dá náuseas.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Um momento de despedida

Meus queridos alunos e colegas professores do CEULP/ULBRA, este é um momento para me despedir de vocês, uma vez que a partir desta semana não faço mais parte desta instituição. Os motivos que me levaram a sair, agora não vêm ao caso. O que eu quero aqui é registrar algumas coisas legais que absorvi ao longo deste um ano e meio que pude conviver com todos vocês.


Dos colegas ficam algumas lembranças como:


- a determinação da Irenides

- a imponência e a amizade da Cássia

- o coleguismo do Luiz Cláudio

- o alto astral da Adriana

- a competência incrível do Edglei


Com a Jocyelma e com a Késia, foram momentos breves, por isso não faço destaques aqui. Mas são excelentes profissionais e sabem muito bem o que fazem. Cassiano e Jean quase não trocamos experiências, mas fica o desejo de muito sucesso. E o Quintanilha...era um ótimo aluno e tem se mostrado um professor de futuro promissor, além de ser um profissional com vasta experiência. Se deixei alguém de lado, me perdoem.


Bom, e quanto aos alunos, sei que para alguns a minha saída será um alívio. Porém, sei também que alguns sentirão a minha falta. Também sentirei de vocês, podem ter certeza.


Nunca fui imparcial. Aliás, já disse a vocês que isso não existe. E, por favor, acreditem nisso. Vocês estão sendo preparados para ser jornalistas e não maquininhas a vapor de quem quer que seja. Não temam dar suas opiniões, não deixem de se impor profissionalmente, parem de pensar que vocês vão sair da faculdade para trabalhar neste ou naquele jornal. Procurem pensar suas vidas profissionais com mais independência e aproveitem tudo o que puderem dentro da faculdade porque é ela quem vai lhes construir os alicerces mais firmes quando estiverem no mercado.


Nunca tive vocação para ser educadora. Fui uma professora em quem vocês puderam encontrar acima de tudo uma jornalista apaixonada pela profissão que fez o melhor que pôde para lhes passar um pouco de como funciona o mundo jornalístico. Acho que consegui fazer isso.


Hoje parto para alçar um vôo maior. E é isso que eu espero um dia saber de vocês. Que vocês sonharam, lutaram, foram atrás e conseguiram realizar cada objetivo de vida e de profissão. Nunca se rendam ao comodismo. Nunca tenham medo de recomeçar e, o mais importante, não se permitam fraquejar sem saber que mesmo caindo, a sua base estará forte para suportar qualquer queda e lhes permitirá recomeçar quantas vezes forem necessárias.


Apesar de tudo, estou feliz. E desejo a todos vocês muita felicidade também.


Um abraço bem forte a todos e nos vemos por aí.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O diploma não vale nada?

Desde que o super diplomado Gilmar Mendes e sua trupe de senhores extremamente cheios de qualificações estabeleceram que o diploma de jornalismo “não valeria mais” muitos profissionais e estudantes ficaram revoltados. Eu sou uma que estou “adorando” isso. Alguns alunos de Jornalismo, inclusive, a esta altura já trancaram suas matrículas e estão pensando que curso farão a partir de agora.


Pois bem, o que precisa ser entendido é que o jornalismo é muito maior que qualquer discussão acerca de um pedaço de papel, o qual tenho orgulho de carregar para todo lugar que vou (isso quer dizer que cada vez que mudo de cidade ou casa eu levo e não que coloco ele embaixo do braço para ir até a padaria).


O Jornalismo é vocação, paixão, dedicação. Outro dia um grupo de alunos meus pediu se era possível fazer jornalismo apenas com dedicação, sem paixão. Minha resposta foi: IMPOSSÍVEL. Para quem é jornalista de fato existe uma coisa chamada devoção. Ou seja, você não acorda pela manhã e diz “hoje vou virar jornalista!”. Para ser jornalista é preciso sentir, viver, escolher, treinar e, acima de tudo, merecer.


Decepcionou-me muito quando um dos “grandes” jornalistas que o Brasil tem, Bóris Casoy (que não tem diploma e utiliza bordões para formar opiniões), disse em seu programa ser favorável a desobrigatoriedade do diploma justificando que escritor não precisa de diploma. Oras, jornalista não é escritor. Jornalista é um profissional da comunicação que tem responsabilidade com os fatos e com a verdade diante da sociedade. Sim, ele escreve, mas ele tem em si uma carga de valores éticos sociais, culturais e profissionais.


Hoje, sem diploma e sem lei de imprensa, o que farão do jornalismo brasileiro? Ainda temos uma Código de Ética, ou vão querer eliminar isso também? Quem faz uma faculdade está muito melhor preparado. Na academia pensamos o jornalismo e na prática executamos o jornalismo. É inadmissível que sete senhores cheios de interesses pessoais digam o que vale ou não dentro de uma das profissões mais difíceis de ser executada. Não temos a precisão cirúrgica de um bisturi, mas temos a precisão da língua portuguesa, da imagem, da fotografia, da apuração e checagem dos fatos.


Aprendemos a perseguir a verdade através do relato real das coisas e não da invenção e suposição das mesmas. Isso tudo abre uma margem imensurável para um jornalismo completamente irresponsável. Tudo bem, concordo que o jornalismo que se faz hoje não é tão exemplar por conta dessa tal de política e do tal do dinheiro que fazem qualquer pessoa tomar atitudes impensáveis, mas, ao menos se tenta trazer a tona argumentações e justificativas coerentes conforme suas realidades.


Ainda assim, nós jornalistas, somos seres humanos dotados de poderes especiais. Somente uma Mulher Maravilha para ficar horas esperando para ser recebida por um entrevistado e quando este a recebe, resolve dizer nada com coisa alguma. Somente um Super Homem para fazer incontáveis tentativas de contato telefônico com uma fonte que resolve não dar mais a informação que tinha prometido ou ficar o resto da vida esperando uma resposta via e-mail de um questionário enviado a uma assessoria sobre as ações de sua empresa. Temos que ter paciência de santidade.


Mas tudo bem né. O Gilmar Mendes disse que não sabia muito bem como era a profissão de jornalista, mas que achava que não era muito simples. E realmente, caro Gilmar, não é mesmo. Segundo o senhor e sua tropa agora qualquer um pode dizer que é jornalista. Até o presidente Lula vai assinar uma coluna em jornal. Aí ele vai ser metalúrgico, sindicalista, deputado, presidente e jornalista. A combinação perfeita! Uma pessoa extremamente preparada para escrever. Escrever? Será que ele sabe? Acho que ele vai contratar um jornalista para fazer os seus textos. Ele só vai assinar.


Bom gente, é o seguinte: quem quiser ter uma profissão, não precisa mais se qualificar. Não estude, não faça concursos, nem provas e nem leia mais. Basta você dizer que é jornalista que fica tudo certo.


Pois é, mais uma do Brasil. E este, infelizmente, é o meu país. Socorro!!!!!!!!!!

sábado, 9 de maio de 2009

Primeiros em tudo?

Queridos alunos, abaixo reproduzo o artigo que escrevi para o primeiro Jornal Mural do Centro Acadêmico de Comunicação Social do CEULP/ULBRA.


Abraços a todos


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Honrou-me muito este convite. Os alunos do primeiro de CA de Comunicação Social do CEULP/ULBRA me convidaram para ser a primeira professora a escrever o primeiro artigo do primeiro Jornal Mural do grupo. No mínimo estamos fazendo história. Será?

Os movimentos estudantis sempre existiram em nosso país. Grandes lideranças nacionais surgiram destes movimentos. Grandes causam foram ganhas, poucas derrotas foram registradas. E isto é fato: quando uma massa se junta, ela consegue vencer. Um exemplo clássico é a história dos “caras pintadas” que conseguiram tirar um Presidente da República do poder (claro que muito influenciados pela mídia, mas essa parte deixemos de lado).

Porém, pouco se vê estudantes atuantes e realmente engajados em uma causa hoje em dia. Não quero entrar em discussão com DCE’s, UNE’s, DA’s, CA’s e outros tantos. Quero falar um pouco da passividade de uma maioria absoluta de estudantes. Jovens que querem apenas passar na disciplina sem nada aprender, que querem apenas pegar seus diplomas nas mãos e entregar aos pais, que mesmo pagando não comparecem às aulas ou querem que a aula acabe mais cedo porque precisa sair com os amigos. Isso se reflete nos péssimos profissionais que estão entrando no mercado de trabalho.

E quantos outros exemplos cada um de vocês mesmos teriam para citar aqui, não é mesmo? E porque este é apenas o primeiro CA da Comunicação se o curso existe há oito anos? Não tem coisa errada nisso?

Será que é porque os outros alunos eram uns sem causa? Eram acomodados? Eram não politizados? Eram uns sem cérebro? Ou eram uns idiotas? Por que somente agora um grupo decidiu fazer alguma coisa por eles e por seus colegas? O que há de diferente este ano?

Estas respostas ainda não tenho. Mas o que quero destacar é que esses alunos estão aqui, tentando fazer a diferença. Tentando fazer com que ouçamos suas reivindicações como estudantes, suas dificuldades, suas angústias. E estão muito certos.

Porque quando você paga e não tem nem condições de usar uma sala para a disciplina de Redação porque não existem computadores funcionando é de se revoltar mesmo. Lutem pelo que lhes é de direito e nunca desistam de fazer o melhor por vocês e por quem quiser acompanhá-los nesta caminhada.

E quanto aos alunos que estão lendo este artigo e estão na classe dos “passivos”, reflitam e se ergam de suas cadeiras para fazer algo de útil por vocês mesmos. Queiram computadores para utilizar, queiram bons equipamentos dentro de seus cursos para poderem se preparar bem profissionalmente, estejam dispostos a serem vitoriosos e não apenas “mais um” que vai receber um diploma no final do curso. Ter um diploma é fácil, o difícil é ser aceito num mercado de trabalho cada vez mais competitivo. Isso é privilégio para os melhores.

Então, levanta logo daí!


segunda-feira, 20 de abril de 2009

Como trabalha essa tal de esperança

Olá minha gente, hoje meu texto vai ser um pouco diferente. Cá estou eu para falar de esperança. Palavra sublime que carrega consigo uma carga emocional imensa, cansativa, praticamente um fardo em suas próprias costas.

Quem de nós nunca teve esperança de conseguir alguma coisa? Esperança normalmente está relacionada com desejo, vontade, sonho. Às vezes coisas possíveis, outras nem tanto. Algumas engraçadas, outras escabrosas, outras impossíveis de descrever.

Mas vamos aos fatos: na semana passada Susan Boyle, uma desempregada escocesa virou a coqueluche mundial quando se apresentou no programa inglês "Britain's got Talent". Ela cantou a música "I dreamed a dream", do musical "Os miseráveis". E gente, ela arrasou. Arrancou lágrimas, aplausos e fãs incondicionais como a atriz americana Demi Moore.

E sabe qual era o seu propósito nesse show? Ela tinha esperança de um dia poder ser uma cantora profissional e ficar diante de uma grande platéia. Não imaginava, porém, ter seu vídeo assistido em todo o mundo com uma audiência de dois dias de mais de 60 milhões de acessos. Ela não tinha nada, nem emprego. Apenas talento escondido e esperança.

E você, leitor, tem esperança do que?

Você já parou para fazer esse exercício?

Agora vamos a outra argumentação: será que a ESPERANÇA não seria uma válvula de escape para justificar nossos fracassos? Nossa falta de atitude? Olhem a Susan. Ela sempre se achou feia, nunca casou, nem beijou na boca. Cantava desde os 12 anos para pequenas platéias e alguns amigos. Até que um dia resolveu agir e olhem no que deu. Fantástica.

Vamos pegar esse exemplo e tentar levantar nossa auto-estima. Vamos fazer coisas. Não tenhamos medo de parecer ridículos porque ridículo é aquele que julga sem nunca ter erguido a bunda de sua cadeira e ficar apenas vendo a vida passar em sua frente.

A letra da música cantada por ela diz entre tantos outro trechos o seguinte: "Eu sonhei um sonho muito tempo atrás, quando havia esperança e a vida valia a pena ser vivida / Eu sonhei que o amor nunca morreria, eu sonhei que Deus seria perdoador / Quando era jovem e destemida, e sonhos eram feitos, usados e desperdiçados / Não havia resgate a ser pago, não havia canção não cantada ou vinho não provado / ... / E eles destroem suas esperanças e transformam seu sonho em vergonha/ E eu ainda sonho que ele virá até mim e que viveremos nossas vidas juntos / Mas há sonhos que não se realizam e há tempestades que não se acalmam / Eu tive um sonho que a minha vida seria tão diferente deste inferno que estou vivendo / ... / Agora a vida matou o sonho que sonhei".

Assistam o vídeo da Susan Boyle e inspirem-se. Emocionem-se. E tirem suas próprias lições de vida.

Um grande abraço, cheio de esperanças.