quarta-feira, 30 de março de 2011

Avianca autoriza aeronave sem freios a decolar

Na última segunda-feira, 28, os passageiros da empresa aérea Avianca, que faz a rota São Paulo/Passo Fundo, tiveram que retornar ao aeroporto do Guarulhos após decolar e viajar por 50 minutos. De acordo com o comandante Fernando Faro, foi constatado durante a viagem que a aeronave, um modelo MK28, não tinha condições de pousar em Passo Fundo por causa de um problema no sistema de frenagem. Segundo ele, uma falha na manutenção não apontou que os flaps não estavam ativos e, por isso, como a pista do aeroporto de Passo Fundo estava molhada devido a uma forte chuva, e por ser muito curta, o comandante preferiu voltar a Guarulhos para garantir a segurança dos passageiros uma vez que neste aeroporto seria possível pousar com o sistema de freios manual. Em solo, os funcionários da empresa confirmaram o problema de manutenção.


A empresa deu assistência providenciando realocação para passageiros que preferiram seguir viagem para destinos próximos como Porto Alegre e Chapecó de onde sairia um ônibus os levando para Passo Fundo. Outros foram alojados em hotel com translado e alimentação por conta da empresa. Claro que tudo isso regado a muita fila e indignação. Mas, uma questão ficou no ar: como uma empresa aérea deixa uma aeronave sem freios decolar?


É válido dizer que havia mães com bebês, empresários e visitantes. E esta jornalista aqui também. Investidores americanos também estavam entre os passageiros que ficaram sem poder viajar e esse problema os fez desistir de ir a Passo Fundo. Quanto às acomodações, apesar de ser um bom hotel, com boa comida e instalações, isso nada mais é que uma maneira de amenizar a raiva e o medo pelo qual todos passaram.


No dia seguinte, para os passageiros que preferiam remarcar a viagem, o vôo que deveria sair às 13h05 não saiu. A informação é que a aeronave que faria o trajeto Guarulhos/Passo Fundo pousou tardiamente em Guarulhos e, por isso, a saída atrasaria. Num primeiro momento o embarque ficou remarcado para às 14h15. Depois, às 15h e um último boletim foi dado às 16h: o vôo foi cancelado devido a forte chuva em Passo Fundo. Ótimo! Agora uma nova observação: se o vôo tivesse saído na hora que deveria, o aeroporto de Passo Fundo estaria aberto e teríamos conseguido pousar sem maiores problemas porque a chuva forte só começou às 15h na cidade.


Desta vez, depois de abrir um processo na Anac contra a Avianca, optei por voar até Porto Alegre e depois pegar um ônibus até Passo Fundo. Mas, para isso, esperei por mais 3h30 para pegar o vôo da TAM, que saía às 19h35. Chegamos à capital gaúcha às 21h10. Depois o ônibus saiu às 22h30 e chegamos em Passo Fundo às 3h.


Talvez esteja na hora de se pensar em novas alternativas para o transporte aéreo em Passo Fundo ou, então, dessa empresa Avianca pensar com mais responsabilidade em relação às vidas que carrega em suas aeronaves. Desta vez, nada de mais grave aconteceu, mas, quem garante que, se continuar assim, não aconteça? E o que falar de uma estrutura de aeroporto, numa cidade que é capital da Literatura, que traz grandes eventos culturais, que atrai investimentos internacionais e, ainda, assim, não tem nem bancos suficientes para acomodar aqueles que esperam seu único vôo do dia. Já disseram que um projeto de ampliação do aeroporto foi apresentado à Anac, mas quando é que as coisas vão parar de existir apenas no papel? Fica a reflexão.