segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Um século de história


Quero compartilhar com todos vocês uma grande alegria e um imenso orgulho. Estou no Rio Grande Sul, na cidade de Passo Fundo (minha terra natal), para comemorar os 100 anos bem vividos de minha avó materna: a vó Oliva. Na verdade, ela fez aniversário no dia 15 de agosto, mas a festa só aconteceu neste final de semana, dia 6 de setembro.

A festa foi linda. Ela estava linda como vocês podem ver na foto. E é um orgulho enorme ver uma pessoa como a vó Oliva chegar inteirona aos 100. Quantas lembranças, quantas histórias, quantas risadas. Acho que nunca vi a minha avó triste. A única vez que a vi chorar foi quando (em minhas precoces ações como repórter) aos 12 anos resolvi “entrevistá-la”.

Durante o papo, com direito a microfone improvisado, questionei sobre o saudoso vô Higino, seu companheiro durante 48 anos. Ela disse que a única tristeza de sua vida foi ter ficado sem ele e que, quando a saudade apertava, ela pegava o terço e começava a rezar.

Meus avós são italianos puríssimos. Na época de casados, o hábito era rezar o terço antes de dormir. Porém, a vó me contou que quando iam se deitar, ele lia trechos da bíblia para ela que ficava aconchegada em seu peito. Ela não sabia ler e ele queria agradá-la. Fiquei imaginando como deveria ser bonito ver essa cena uma vez que, naquela época, normalmente os casamentos eram arranjados e tinham como único fim a procriação.

Uma história de amor assim era rara. E olha que minha avó abandonou um noivo rico para ficar com o namorado pobre. Enfim, coisas que somente a vida pode explicar. E foram anos de dificuldades, anos de “vacas magras”. Mas, quando alguém pergunta o que foi mais difícil ela responde: “Nada foi difícil. Prá mim foi tudo bom”. Pessoas com tanto positivismo são tão raras quanto as histórias de amor verdadeiro.

Eu poderia citar mais um monte de histórias emocionantes ou engraçadas. Só que o que eu quero mesmo é dizer que sou uma privilegiada em ter um exemplo de vida para conduzir os meus passos. Tenho reclamado muito das coisas, estou numa fase um tanto revoltada principalmente com o nosso país, mas ter passado esses dias por aqui me permitiram tomar uma injeção de otimismo.

Mais uma vez a vó Oliva me fez enxergar que na vida as coisas são tão simples que podem até ser boas. Quando fui me despedir dela, ela me aconselhou: “Tu e o teu marido não podem ficar doentes porque no final do ano vocês precisam vir aqui na minha casa e me fazer uma comida bem boa. E eu também vou me cuidar para esperar vocês”. O que mais eu posso falar dessa mulher? Só isso já mostra o quanto ela é lúcida e o quanto ela ainda quer compartilhar com as pessoas a alegria de viver.

Até dezembro dona Oliva. E parabéns novamente!

Um comentário:

Fran disse...

Oi professora....a sua vozinha é uma graça...e uma escola de otimismo tambem...parabens